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  • Daniel Takata

A difícil tarefa de elaborar um ranking com critérios objetivos

Há algumas semanas, o site Bleacher Report divulgou um ranking elencando os 50 maiores jogadores da NBA de todos os tempos.


Como todo ranking, gerou certa polêmica. Mas a diferença desse é que, como o próprio site destaca, apesar de ter uma dose de subjetividade como todos os rankings, "a lista foi altamente influenciada por estatísticas básicas e avançadas."


Uma das grandes polêmicas foi considerar o armador do Golden State Warriors, Stephen Curry, na 10ª posição, deixando, entre outros, Kobe Bryant, lenda dos Los Angeles Lakers, fora do Top 10.


Kobe Bryant e Stephen Curry (foto: reprodução/USA Today)

Uma das estatísticas que foi altamente considerada foi a chamada "win shares", que combina diversas informações para indicar o quanto o jogador contribuiu nas vitórias de seu time. E essa estatística foi decisiva para a inclusão de Curry entre os 10 maiores da história.


Mas, mesmo sendo um critério objetivo, não deixa de gerar discussões. A estatística combina dados de produção ofensiva e defensiva de jogadores. Em certo momento, multiplica-se uma média de pontos por 0,92. Em outro, por 0,44 um índice de lances livres acertados.


É difícil explicar a origem desses números, e mesmo a mais mirabolante explicação muitas vezes não soa convicente. Justamente por ser mirabolante.


A lista dos 10 maiores jogadores da história da NBA, de acordo com o site, é a seguinte:


1. Michael Jordan

2. Lebron James

3. Kareem Abdul-Jabbar

4. Magic Johnson

5. Larry Bird

6. Shaquille O'Neal

7. Tim Duncan

8. Bill Russell

9. Wilt Chamberlain

10. Stephen Curry


Hoje, a brasileira Ana Marcela Cunha foi escolhida a melhor nadadora de águas abertas do mundo em 2019 pela revista americana Swimming World. É a mais tradicional premiação dos esportes aquáticos, oferecida desde 1964 - as águas abertas foram incluídas em 2005.


Foi a primeira vez que a brasileira alcançou a honraria. Mas, para a Federação Internacional de Natação (FINA), ela já havia sido eleita cinco vezes, e deve ser mais uma vez ao final deste ano.


Isso porque os critérios utilizados são muito diferentes. A Swimming World realiza uma votação com jornalistas especializados. Já a FINA utiliza um critério objetivo.


Ana Marcela Cunha (foto: Satiro Sodré/rededoesporte.gov.br)

Mas, principalmente na natação, a eleição dos melhores do ano da FINA costuma ser alvo de críticas. Utiliza-se um sistema de pontuação, em que conquistas diferentes podem render pontuações diferentes. Obviamente um título mundial tem peso maior do que um título de Copa do Mundo.


Mas são justamente tais pesos que causam polêmica. Um atleta líder do ranking mundial em piscina de 50m consegue a mesma pontuação de um líder do ranking em piscina de 25m. E, em geral, e principalmente em anos olímpicos, obviamente a piscina longa tem muito mais valor.


Esse é mais um caso em que um sistema objetivo gera desconfiança e críticas. E é por essa razão que a americana Katie Ledecky, um dos maiores fenômenos da história da natação, levou o prêmio somente uma vez, enquanto a húngara Katinka Hosszu conseguiu quatro.


Hosszu costuma nadar muitas competições e muitas provas em piscina de 25 metros e consegue altas pontuações. Não que ela não seja fantástica, mas houve temporadas em que era praticamente uma unanimidade que Ledecky era a melhor nadadora do mundo, e isso não se refletiu na escolha da FINA.


Por isso, mesmo os critérios mais objetivos podem apresentar falhas, simplesmente porque a escolha dos critérios pode ser subjetiva e arbitrária.


Talvez o ideal seja que os dados falem por si só, com pouca interferência de quem quer que seja para a elaboração dos critérios. Algo parecido com o que fiz nesse post, ao propor um método para identificar os melhores jogadores do Campeonato Mundial de Basquete deste ano.


Fica a dica!

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© 2019 por Daniel Takata.