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  • Daniel Takata

Houve evolução nos 100m rasos feminino nos últimos 30 anos?


Florence Griffith-Joyner (foto: divulgação)

O recorde mundial dos 100m rasos feminino é um dos mais lendários do atletismo


Foi estabelecido em 1988, pela americana Florence Griffith-Joyner, com o tempo de 10s49.


A marca, na época, foi um absurdo. Superou em quase três décimos o recorde mundial anterior, uma eternidade em uma prova tão curta.


E, desde então, ninguém ameaçou o recorde.


Não só isso.


Observem os tempos das cinco primeiras colocadas no ranking mundial de 1988:


1. 10s49 Florence Griffith-Joyner (EUA)

2. 10s81 Evelyn Ashford (EUA)

3. 10s83 Sheila Echols (EUA)

4. 10s85 Anelia Nuneva (BUL)

5. 10s86 Diane Williams (EUA)


Agora, os tempos das cinco primeiras do ranking mundial de 2018:


1. 10s85 Dina Asher-Smith (GBR)

1. 10s85 Marie-Josée Ta Lou (CDM)

3. 10s90 Blessing Okagbare-Ighoteguonor (NGR)

3. 10s90 Aleia Hobbs (EUA)

3. 10s90 Murielle Ahouré (CDM)


A britânica Dina Asher-Smith (foto: reprodução/athleticsweekly.com)

Não só Griffith-Joyner seria líder, com facilidade, do ranking mundial de 2018, como as três primeiras colocadas no ranking de 1988 têm tempos melhores que a primeira colocada de 2018.


30 anos depois, será que não houve nenhuma evolução entre as atletas mais rápidas da prova?


Essa é a impressão que fica analisando os tempos das primeiras colocadas dos rankings mundiais.


Mas podemos fazer uma análise mais ampla, e considerar os tempos das 50 primeiras colocadas.


Abaixo coloco o vídeo que postei no canal do Esportístico no YouTube sobre o tema.



A média dos tempos das 50 mais rápidas de 1988 foi 11s0868, e a média das 50 mais rápidas de 2018 foi 11s0398.


Em média, as corredoras de 2018 foram mais rápidas do que as de 1988.


Mas será que essa diferença de 0s470 é significativa?


Ou será que foi fruto simplesmente da variação natural, e que a diferença não é suficiente para afirmar que houve realmente uma diminuição nos tempos?


Há uma ferramenta estatística que permite fazer essa verificação: o teste de hipótese.


No caso aqui, será aplicado um dos testes mais famosos, o teste t-Student.


O teste possibilita verificar se há evidências de que a diferença entre as médias observadas foi casual ou não.


Em outros termos, se não existisse a variação natural e perturbações aleatórias, as médias realmente seriam diferentes?


O teste t-Student considera a diferença entre as médias observadas e a variabilidade dos dados, algo essencial.


O resultado do teste é uma probabilidade, chamada de p-valor.


Nesse caso, o p-valor é igual a 3,59%.

E qual é sua interpretação?


Significa que, caso realmente as médias dos tempos de 1988 e de 2018 forem iguais (sem o efeito de perturbações aleatórias), 3 ou 4 a cada 100 repetições do fenômeno apresentariam um resultado como o observado ou mais extremo.


Nesse caso, como, sob a hipótese de igualdade, teríamos poucas ocorrências de um resultado como o obtido, desconfiamos da veracidade de tal hipótese.


E tendemos a refutar a hipótese de igualdade, em favor da hipótese de que a média dos tempos de 2018 é menor do que a média dos tempos de 1988.


Logo, por essa análise, aparentemente houve, sim, evolução nos 100m rasos feminino, ao menos nesse universo das 50 corredoras mais rápidas do mundo.


Um fato que desconfiaríamos ao analisar somente as cinco primeiras dos rankings mundiais.


Mas ter uma ideia de quando o recorde de Florence Griffith-Joyner será superado, isso é outra história.


E assunto para outra análise que, em breve, pretendo trazer aqui.


Não se esqueça de acessar o vídeo sobre o tema no canal do Esportístico, no YouTube, para uma explicação mais detalhada.








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© 2019 por Daniel Takata.