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  • Daniel Takata

Mata-mata no futebol: é melhor jogar a 1ª ou a 2ª partida em casa?


Neymar contra o Peñarol na final da Libertadores de 2011: liquidando a fatura em casa (foto: Nelson Almeida)


Essa é uma questão recorrente em mesas redondas e até em conversas de bar sobre futebol.


Um time que joga a primeira partida em casa pode fazer um resultado e controlar o adversário na partida seguinte.


Por outro lado, um time pode segurar o resultado na primeira partida fora de casa e ter a chance de liquidar a fatura no segundo jogo, ao lado de sua torcida.


Argumentos existem para ambos os lados.


Mas, no último vídeo do canal do Esportístico no YouTube, tento trazer a resposta baseado em levantamentos e ferramentas estatísticas.


Analisei 392 disputas de 14 temporadas da Taça Libertadores da América e da Liga dos Campeões da Europa.


Em 59% das ocasiões, o time que decide a segunda partida em casa se classifica.


Vantagem incontestável para essa opção, então?


Não necessariamente. Também fiz a análise dividindo por fases de disputa.


Isso porque, nas oitavas-de-final, os times que tiveram melhores campanhas nas fases anteriores sempre disputam a segunda partida em casa. Por isso, em tese, esses times já apresentaram uma superioridade, e seria lógico que tivessem um percentual maior de classificação.


É o que ocorre. Em 62% das ocasiões em oitavas-de-final, isso ocorre.


Em quartas-de-final, também em 62% das disputas o time que decide a segunda partida em casa obtém a classificação.


No entanto, em semifinais, fase em que os duelos são altamente equilibrados, observamos uma inversão.


Em 61% das disputas, o time que joga a primeira partida em casa se classifica.


Mas isso ainda não indica uma conclusão definitiva.


Utilizando a ferramenta estatística conhecida como margem de erro, que vocês devem reconhecer das pesquisas em época de eleições, temos como detectar se as diferenças entre os percentuais são significativas ou não.


O raciocínio é o seguinte: quanto mais jogos observamos, mais precisas são nossas conclusões.


Imagine um lançamento de uma moeda. Se observamos os resultados de 10 lançamentos e obtivermos 7 caras e 3 coroas, esse não é um resultado atípico se imaginarmos 50% de chance para cada face.


Mas se lançarmos a moeda 1.000 vezes e obtivermos 700 caras e 300 coroas, é altamente improvável que existam 50% de chances para cada face.


Em termos percentuais, os resultados dos experimentos são equivalentes. Mas, com mais lançamentos, temos como ter uma ideia mais precisa do fenômeno.


O mesmo ocorre no caso dos mata-matas. Será que o número de jogos é grande o suficiente para fazermos com que as conclusões sejam precisas?


Em oitavas-de-final, foram 224 disputas analisadas. Calculando a margem de erro para os percentuais, obtemos, com alta confiança, que a probabilidade de o time que joga a primeira partida em casa se classificar vai de 31% a 44%. E que a probabilidade para o time que joga a segunda partida em casa vai de 56% a 69%.


Portanto, temos evidência estatística para refutar a hipótese de que as probabilidades são iguais. Logo, provavelmente o time que joga a segunda partida em casa leva certa vantagem.


Mas isso era esperado.


Já no caso das semifinais, foram 56 disputas analisadas. A probabilidade de o time que joga a primeira partida em casa se classificar vai de 48% a 74%. E que a probabilidade para o time que joga a segunda partida em casa vai de 26% a 52%.


Como os intervalos se sobrepõem, e o valor de 50% está contido em ambos os intervalos, não temos evidência para rejeitar a hipótese de igualdade das probabilidades.


Isso não significa que não sejam diferentes. Talvez, quando tivermos mais disputas para analisar, possamos chegar a intervalos mais estreitos, que evidenciem uma diferença. No momento, não podemos verificar essa diferença, que, pontualmente, aparentemente favorecia o time que jogava a primeira partida em casa.


Para mais detalhes, acompanhe o vídeo a seguir.




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