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© 2019 por Daniel Takata.

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  • Daniel Takata

Mundial de natação: por que há mais recordes masculinos do que femininos?


O americano Caeleb Dressel superou o recorde mundial dos 100m borboleta, que pertencia a Michael Phelps desde a era dos trajes tecnológicos (foto: AP)

(mais um texto sobre natação. Desculpem-me, mas em semana de Campeonato Mundial, fica difícil fugir do tema!)


Um fato tem chamado a atenção nas disputas das provas de natação no Mundial de Esportes Aquáticos de Gwangju.


Até as finais do sexto dia, foram estabelecidos seis recordes mundiais, sendo cinco em provas individuais.


São eles, em ordem cronológica:


100m peito masculino: Adam Peaty (56s88)

200m borboleta masculino: Kristof Milak (1min50s73)

200m peito masculino: Matthew Wilson (2min06s67)

200m costas feminino: Regan Smith (2min03s35)

100m borboleta masculino: Caeleb Dressel (49s50)

200m peito masculino: Anton Chupkov (2min06s12)


O que chama a atenção é a quantidade de recordes masculinos: quatro, contra apenas um feminino.


Algo que vai contra a tendência que se observou nos últimos anos.


Após a proibição dos trajes tecnológicos, no final de 2009, observe como se distribuíram, entre os gêneros, os recordes mundiais individuais nos principais eventos da natação (Mundiais de Esportes Aquáticos e Jogos Olímpicos):


Mundial 2011

0 feminino

2 masculinos


Olimpíada 2012

5 femininos

3 masculinos


Mundial 2013

6 femininos

0 masculino


Mundial 2015

6 femininos

2 masculinos


Olimpíada 2016

4 femininos

3 masculinos


Mundial 2017

5 femininos

2 masculinos


Mundial 2019 (até o sexto dia de finais)

1 feminino

5 masculinos


À exceção do Mundial de 2011, em todos os outros eventos observamos predominância de recordes femininos.


E no Mundial de 2019 temos observado uma tendência oposta.


O húngaro Kristof Milak foi outro que superou um recorde de Michael Phelps, nos 200m borboleta (foto: Yohnap/EPA-EFE/REX)

Por que isso acontece?


Observem: entre os 17 recordes mundiais individuais femininos, há somente 2 remanescentes da era dos trajes tecnológicos (2008-2009). Ou seja, 12%.


Já entre os masculinos, ainda sobram 7 recordes daquela época. Ou 41%.


Uma diferença que salta aos olhos.


Uma comparação interessante pode ser feita através da evolução do número de recordes superados ao longo dos anos.


O gráfico a seguir indica o número de recordes mundiais da era dos trajes tecnológicos vigentes, ano após ano, em provas femininas e masculinas


(no início, para ambos os gêneros, esse número era 16, e não 17, pois em uma prova o recorde, tanto para feminino quanto para masculino, havia sido estabelecido antes do período 2008-2009: os 1500m livre.)



Ao longo dos anos, observa-se uma clara vantagem para as mulheres em relação aos recordes superados.


Mas, uma hora, esse número para as mulheres tendia a se estabilizar.


E, para os homens, esse número parece agora estar em queda.


(há outros recordes masculinos da era dos trajes, como os 50m e 100m livre masculino, na corda bamba)


Uma explicação, a mais intuitiva e recorrente, é a de que as vestimentas utilizadas pelas mulheres, atualmente, trazem uma certa vantagem, pela área que cobrem no corpo em relação aos trajes masculinos.


O que tem lógica.


Os trajes comprimem os músculos e podem ajudar a diminuir o atrito com a água, apesar de não ajudarem na flutuabilidade como na era dos trajes tecnológicos.


Por essa razão, era de se esperar que as mulheres se aproximassem dos recordes do período 2008-2009 mais rapidamente que os homens.


E, talvez, agora, quase 10 anos depois, os homens estejam conseguindo "tirar o atraso", e se aproximando de uma maneira mais substancial dos recordes daquele período.


Pode ser que comecemos agora uma era de quebra de recordes masculinos. Ou, na pior das hipóteses para os homens, o número de recordes femininos e masculinos finalmente se equiparem.

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