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© 2019 por Daniel Takata.

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  • Daniel Takata

O 1º sub-10s brasileiro nos 100m foi com vento a favor. Mas também teria saído em condições legais


Paulo André Camilo (foto: Thiago Parmalat/CBDU)

O velocista Paulo André Camilo, desde o ano passado, tem sido o principal nome do Brasil para desafiar a lendária barreira dos 10 segundos nos 100 m rasos no atletismo.


Afinal, ele já correu para 10s02 duas vezes.


O recorde brasileiro pertence a Robson Caetano desde 1988, com a marca de 10 segundos cravados.


Há menos de um mês, ele ficou com a medalha de prata na prova nos Jogos Pan-Americanos de Lima, mas não conseguiu superar a marca de Robson.

Mas ontem, durante o Troféu Brasil em Bragança Paulista, Paulo André finalmente conseguiu.


Tornou-se o primeiro brasileiro a correr os 100 m abaixo da mítica barreira, com 9s90.


No entanto, a marca não valerá como recorde.


Simplesmente porque o vento a favor marcava 3,2 m/s, acima do limite permitido de 2 m/s.


Que Paulo André é capaz de correr abaixo de 10 segundos em condições legais de vento, disso ninguém duvida.


Nem ele.


"Vim para ficar. Até Doha, companheiros", escreveu ele em uma rede social, esbanjando confiança, referindo-se ao Mundial de atletismo que acontecerá daqui um mês.



Paulo André Camilo com sua prata nos Jogos Pan-Americanos ao lado do americano Carl Lewis, lenda do atletismo e ex-recordista mundial dos 100 m (foto: Wagner Carmo/Panamerica Press/CBAt)

E, inevitavelmente, fica a pergunta: sua marca de 9s90 equivaleria a qual marca tivesse ele corrido com vento de até 2 m/s?


Para responder a essa pergunta, recorri a um estudo científico que estima o efeito do vento em provas de 100 metros.


O artigo, entitulado "A Realistic Quasi-physical Model of the 100 Metre Dash", foi publicado no períodico cienfítico Canadian Journal of Physics, em 2001, pelo pesquisador Jonas Mureika, do departamento de Física da Universidade de Toronto.


O autor chama seu modelo de "quase-físico", pois, de acordo com ele, é uma mistura de modelos matemáticos e físicos. É baseado na resolução de equações diferenciais para prever o tempo de provas como os 100 metros sob condições variáveis, como vento e altitude.


É um modelo não-linear. O que quer dizer que o efeito de um vento a favor de 1 m/s no tempo de um atleta não necessariamente corresponde ao efeito inverso se o vento estiver a 1 m/s contra.


(obviamente que o efeito pode variar um pouco de acordo com o tamanho e o peso do atleta, mas a estimativa obtida pelo modelo é do efeito médio.)


Por isso, tendo Paulo André corrido a 9s90 a 3,2 m/s, se o vento fosse nulo, o modelo indica que ele teria corrido a 10s06.


Mas um adendo: minutos depois de sua prova, os 100 m rasos feminino foram disputados com vento de 1,6 m/s, dentro do limite legal.


Tivesse esse sido o vento em sua prova, a estimativa do tempo do velocista seria de 9s97.


Até um vento de 1,1 m/s, sua marca seria abaixo de 10 segundos - nesse caso, 9s99.


Ou seja, ele teria corrido abaixo de 10 segundos em uma situação de vento legal, e o recorde poderia ser homologado.


Portanto, Paulo André pode se sentir, com toda justiça, tendo tido um desempenho sub-10s.


Como ele já disse, é só questão de tempo para que a marca saia em condições legais.


Mas, moralmente, ele já conseguiu.


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