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  • Daniel Takata

O Pan importa para a Olimpíada? Os números mostram que sim


Isaquias Queiroz conquistou três medalhas olímpicas na canoagem em 2016: ele é um dos muitos exemplos de atletas que tiveram sucesso em Jogos Pan-Americanos antes das glórias olímpicas (foto: reprodução/Diário de Pernambuco)

Durante os Jogos Pan-Americanos de Toronto, em 2015, Bruno Doro, jornalista do UOL, publicou uma matéria muito interessante relacionando os resultados dos atletas brasileiros em Olimpíadas com os obtidos em Pans.


E ele descobriu que há correspondência em 80% dos casos.


Trocando em miúdos: em provas em que o Brasil obteve medalhas olímpicas, no Pan anterior o país também subiu ao pódio no mesmo evento em 80% das vezes.


O levantamento foi feito considerando a correspondência entre as competições. Obviamente, foram utilizados dados desde 1951, ano da primeira disputa de Jogos Pan-Americanos. E também em provas adequadas para o levantamento. Por exemplo, no iatismo, nem sempre as classes disputadas foram as mesmas nos dois eventos.


Assim sendo, o Brasil tinha 73 dobradinhas (conquistas em Pan e Olimpíada) em 94 medalhas possíveis.


Para acessar o texto, clique aqui

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Apresentarei aqui um levantamento parecido, considerando os medalhistas da Olimpíada do Rio de Janeiro. Com duas diferenças.


Levarei em conta os atletas, ao invés das provas, como fez a matéria do UOL. Por exemplo, no Pan de 2015, o Brasil obteve ouro no judô masculino na categoria peso pesado (mais de 100 kg), e na Olimpíada de 2016 o país conquistou um bronze. Mas com atletas diferentes (David Moura e Rafael Silva, respectivamente). Para o UOL, isso contaria como uma correspondência; para mim, não.


Outra diferença é que considerei não apenas o Pan do ano anterior, mas os dois Pans anteriores. Então, considerando o mesmo caso anterior, Rafael Silva conquistou medalha no Pan de 2011 e na Olimpíada de 2016. Aí, sim, contaria como uma correspondência.


O objetivo é verificar como uma conquista em Pan importou para o atleta, no sentido de significar algo na caminhada olímpica.


Na Olimpíada de 2016, o Brasil conquistou 19 medalhas (7 ouros, 6 pratas e 6 bronzes).


Em modalidades individuais ou em duplas, 19 atletas conquistaram medalhas, a saber:


Alisson Cerutti e Bruno Schmidt (ouro no vôlei de praia)

Martine Grael e Kahena Kunze (ouro no iatismo, classe 49er FX)

Robson Conceição (ouro no boxe, peso leve)

Rafaela Silva (ouro no judô, até 57 kg)

Thiago Braz (ouro no atletismo, salto com vara)


Ágatha Bednarczuk e Barbara Seixas (prata no vôlei de praia)

Arthur Zanetti (prata na ginástica, argolas)

Diego Hypólito (prata na ginástica, solo)

Erlon Silva (prata na canoagem, C-2 1000m)

Felipe Wu (prata no tiro, pistola de ar 10m)

Isaquias Queiroz (duas pratas e um bronze na canoagem)


Arthur Nory (bronze na ginástica, solo)

Mayra Aguiar (bronze no judô, até 78 kg)

Maicon Andrade (bronze no taekwondo, mais de 80 kg)

Poliana Okimoto (bronze na maratona aquática)

Rafael Silva (bronze no judô, mais de 100 kg)


Desses, 14 conquistaram medalhas nos Pans de 2011 e/ou 2015. Ou seja, correspondência de 73,68%.


Os que não tinham medalha em Pans eram Thiago Braz, Bruno Schmidt, Ágatha Bednarczuk, Barbara Seixas e Maicon de Andrade.


Ágatha e Barbara do vôlei de prata: exceções (foto: Ivan Pacheco/VEJA.com)

Em modalidades coletivas, foram duas medalhas de ouro, no futebol e no vôlei, ambos masculinos.


No futebol não há como fazer uma correspondência direta entre Jogos Olímpicos e Jogos Pan-Americanos, simplesmente porque as seleções que disputam os campeonatos são totalmente diferentes.


De qualquer forma, mesmo incluindo o futebol na conta, das 19 medalhas do Brasil na Olimpíada de 2016, 15 tiveram correspondentes em Jogos Pan-Americanos, ou seja, 78,95%.


Obviamente que conquistar uma medalha em Pan não garante nada na Olimpíada do ano seguinte. Afinal, é uma questão de matemática.


No Pan, temos poucas potências esportivas (Estados Unidos, Canadá). E, na Olimpíada, além dessas, temos Alemanha, Inglaterra, Japão, China, Austrália, Rússia etc.


A dificuldade é exponencializada. Não dá para esperar chuva de medalhas.


Mas o raciocínio inverso vale, como mostram os números: um atleta brasileiro que conquiste medalha olímpica quase certamente deve ter tido sucesso em Jogos Pan-Americanos.


Poderia me estender bastante aqui. Argumentar que a experiência adquirida em um Pan é importantíssima, que a pressão e a visibilidade que o atleta enfrenta é uma amostra do que ele vai encontrar nos Jogos Olímpicos em uma experiência que, na maioria dos casos, ele terá só em Jogos Pan-Americanos etc.


Há muito o que se argumentar. Mas, no final das contas, os números mostram que conquistas no Pan importam, sim.


Principalmente se soubermos avaliar e colocar as coisas em seus devidos lugares.


Para finalizar, reproduzo o trecho final da citada matéria do UOL, de maneira adaptada:


Portanto, antes de dizer que os Jogos Pan-Americanos de Lima, encerrados no último domingo, não valeram muita coisa, pense duas vezes. Cada conquista de medalha no Peru (foram 171 no total) aumentou as chances de sucesso na Olimpíada de Tóquio no ano que vem.

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© 2019 por Daniel Takata.