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  • Daniel Takata

O quão absurdo foi o feito de Russell Westbrook na NBA?


Russell Westbrook (foto: Joe Murphy/NBAE via Getty Images)

Na NBA, a liga de basquete dos Estados Unidos, um dos feitos mais comemorados por um jogador é alcançar um triplo-duplo em uma partida.


Um triplo-duplo nada mais é do que perfazer dois dígitos em três estatísticas. Por exemplo, 10 pontos, 10 rebotes e 10 assistências. Ou 10 pontos, 10 roubos de bola e 10 tocos.


Na última temporada regular, o feito foi alcançado em 121 ocasiões.


Mas uma dessas ocorrências chamou a atenção.


Foi no dia 2 de abril, no jogo entre Oklahoma City Thunder e Los Angeles Lakers.


Na ocasião, Russell Westbrook, do CIty Thunder, alcançou a incrível marca de 20 pontos, 20 rebotes e 21 assistências.


É o que se chama de triplo-duplo-duplo.


Terminar o jogo com ao menos 20 em três estatísticas era algo que havia ocorrido somente uma vez na história da NBA, há 51 anos, com Wilt Chamberlain em 1968.

Wilt Chamberlain (foto: reprodução/FlurrySports)

O feito de Westbrook é daqueles que, se observássemos as estatísticas separadas, não chamariam a atenção.


A magia se faz pelo conjunto da obra.


Por exemplo, seus 20 pontos no jogo não representam nada de marcante. Em nada menos que 3225 ocasiões observaram-se jogadores com mais de 20 pontos na temporada.


20 rebotes é um número mais respeitável. Foram 49 registros de jogadores com mais rebotes.


Em número de assistências, houve somente um registro acima de 21. E foi do próprio Westbrook, com 24.


Para dimensionar o quanto o feito é impactante, observem os dois gráficos abaixo, considerando todos os jogadores que tiveram jogos com ao menos 10 rebotes na temporada.


Acima, encontra-se o gráfico de número de pontos por número de assistências. Há quatro observações que se destacam. As duas em vermelho correspondem aos jogos em que Westbrook conseguiu 24 e 21 assistências (com 24 e 20 pontos combinados). As duas em verde correspondem aos jogos em que James Harden, do Houston Rockets, obteve 61 e 58 pontos (com 4 e 6 assistências).


Agora, no gráfico de rebotes por assistências, os dois pontos vermelhos que claramente se afastam dos outros são, novamente, os jogos de Westbrook com 21 e 24 assistências (13 e 20 rebotes). E dessa vez não há nenhum outro ponto a mais que se destaque.


Por isso, temos uma ideia de que, combinando pontos, rebotes e assistências, o desempenho de Westbrook com 20-20-21 realmente foi fenomenal.


Mas será que existe uma medida que quantifique essa discrepância? Ou temos sempre que recorrer a gráficos?


Felizmente existe. Tem um nome complicado: distância de Mahalanobis.


Basicamente, essa ferramenta quantifica justamente o quanto um ponto se afasta dos demais, considerando todas as estatísticas envolvidas (no caso, pontos, rebotes e assistências).


Quanto mais alto o valor, mais afastado o ponto está dos demais.


Abaixo, estão os cinco desempenhos que fornecem maior distância de Mahalanobis:


Jogador Pontos Rebotes Assist. Dist. Mahalanobis

Russell Westbrook 24 13 24 45.9729275

Russell Westbrook 20 20 21 43.01211365

James Harden 61 15 4 26.57488244

Karl-Anthony Towns 27 27 3 26.19910166

James Harden 58 10 6 25.31056163


Não foi o desempenho 20-20-21 de Westbrook o mais notável da temporada, e sim o 24-13-24, conseguido em um jogo contra o San Antonio Spurs, em janeiro.


Na terceira posição vem James Harden com seus incríveis 61 pontos, mais 15 rebotes e 4 assistências, contra o New York Knicks em janeiro.


Pode-se observar que os valores da distância de Mahalanobis para os dois registros de Westbrook são bem maiores que os dos outros registros da tabela.


Certamente por causa do número absurdo de assistências que ele conseguiu, o que faz toda a diferença.


Agora você já sabe: quando temos um conjunto de variáveis (aqui tínhamos três), podemos recorrer à distância de Mahalanobis para verificar se há alguma observação discrepante. Ou eventualmente mais que uma.


Aqui, as observações discrepantes claramente são as registradas por Russell Westbrook.


Mas, ao contrário do que poderíamos imaginar, a mais notável não é o seu fantástico triplo-duplo-duplo.


Nem sempre o que a intuição diz é o que a estatística comprova.

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© 2019 por Daniel Takata.