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  • Daniel Takata

Qual é a relação entre a presença das estrelas da NBA e a força da seleção de basquete dos EUA?

Atualizado: 10 de Set de 2019


Marquinhos marca Kemba Walker: vitória da seleção dos Estados Unidos no Mundial de basquete (foto: reprodução/Fox Sports)

Hoje, na disputa da segunda fase do Campeonato Mundial Masculino de Basquete, na China, os Estados Unidos derrotaram o Brasil por 89 a 73, eliminando a seleção brasileira.


A seleção americana, por sua vez, está invicta na competição em cinco jogos e pinta como uma das favoritas.


Mesmo tendo enviado à China um time sem seus principais jogadores como LeBron James, Kevin Durant, Stephen Curry, James Harden e outros.


Mas será que conseguimos de alguma forma medir a força da seleção de basquete dos Estados Unidos pela ausência de seus astros?


A seleção mais temida do mundo


Você provavelmente já ouviu essa história antes, mas nunca é demais relembrar.


Os Estados Unidos, há muito tempo, possuem a liga de basquete masculina mais forte do mundo: a NBA.


No entanto, os astros profissionais americanos foram privados, por muitos anos, de disputarem os principais campeonatos internacionais entre seleções, entre os quais Jogos Olímpicos e Campeonatos Mundiais.


Isso porque a FIBA (Federação Internacional de Basquete) proibia a participação de profissionais. Por isso, os Estados Unidos em geral eram representados por jogadores amadores e universitários.


Isso mudou em 1992, quando jogadores profissionais de basquete passaram a disputar os Jogos Olímpicos. E, naquele ano, os Estados Unidos enviaram à Olimpíada de Barcelona a melhor seleção de basquete de todos os tempos, apelidada apropriadamente de Dream Team. O time contava com lendas como Michael Jordan, Magic Johnson, Larry Bird, Charles Barkley, Karl Malone, Scottie Pippen, entre outros.


Larry Bird, Michael Jordan e Magic Johnson: as maiores estrelas do Dream Team (foto: Getty Images)

A partir de então, a seleção de basquete masculina dos Estados Unidos passou a ser talvez o mais temido time entre todos os esportes. Afinal, contando com os astros da NBA, quem poderia fazer frente?


O problema é que nem sempre foi possível contar com todas as estrelas, por motivos diversos.


Desde 1992, os Estados Unidos venceram a maioria dos Mundiais e Jogos Olímpicos que disputaram. Mas sofreram reveses em alguns desses torneios.


Por isso, seria interessante observar como a qualidade do time em termos de presença de estrelas da NBA pode afetar o desempenho da melhor seleção de basquete do mundo.


Para isso, analisei a seguinte estatística: jogadores presentes na seleção que foram convocados para disputar o All-Star Game do mesmo ano.


O All-Star Game é o jogo das estrelas da NBA, realizado anualmente, e que, em teoria, reúne os melhores jogadores em atividade.


Logo, podemos pensar que, se há muitos jogadores da seleção que disputaram o All-Star Game mais recente, então maior é o poderio da seleção.


Por exemplo, no Dream Team de 1992, 11 dos 12 jogadores foram convocados para o All-Star Game daquele ano, ou seja, 92% do time.


Mas nem sempre as estrelas, mesmo que convocadas, participam dos campeonatos com a seleção. Há dispensas por motivos de saúde, pessoais e outros.


A seguir, confira essa estatística para Mundiais e Jogos Olímpicos desde 1992, e também a posição em que a seleção americana finalizou o respectivo campeonato.


Jogos Olímpicos 1992: 11/12 (92%), 1º lugar

Mundial 1994: 7/12 (58%), 1º lugar

Jogos Olímpicos 1996: 12/12 (100%), 1º lugar

Mundial 1998: 0/12 (0%), 3º lugar

Jogos Olímpicos 2000: 7/12 (58%), 1º lugar

Mundial 2002: 4/12 (33%), 6º lugar

Jogos Olímpicos 2004: 2/12 (17%), 3º lugar

Mundial 2006: 4/12 (33%), 3º lugar

Jogos Olímpicos 2008: 9/12 (75%), 1º lugar

Mundial 2010: 3/12 (25%), 1º lugar

Jogos Olímpicos 2012: 9/12 (75%), 1º lugar

Mundial 2014: 5/7 (42%), 1º lugar

Jogos Olímpicos 2016: 9/12 (75%), 1º lugar


Nota: em 1998, jogadores da NBA fizeram uma greve e por isso não representaram o país no Mundial.


Repare que nessa estatística só são considerados os jogadores que foram convocados para o All-Star Game no mesmo ano. Por exemplo, LeBron James, em 2004, era um calouro e disputou a Olimpíada de Atenas. Na época ele ainda não era o astro que se tornaria e não havia participado de um All-Star Game. Por isso, naquele ano, ele não foi contabilizado como um All-Star.


LeBron James: bicampeão olímpico em 2008 e 2012 (foto: reprodução/sportige.com)

Relação muito forte entre o número de All-Stars e o desempenho histórico da seleção


Rapidamente uma associação salta aos olhos: sempre que a seleção americana tem mais da metade do seu time tendo participado do All-Star Game do mesmo ano, a medalha de ouro vem, seja em Mundiais ou Olimpíadas.


Outro dado interessante: em todas as vezes que a seleção americana não venceu os principais campeonatos desde 1992, o time contava com menos de 50% de astros do All-Star.


Em apenas duas ocasiões o time com menos da metade de astros conseguiu a medalha de ouro: nos Mundiais de 2010 e 2014.


E é justamente nesses times que a atual seleção americana tenta se inspirar.


Afinal, no Mundial da China, apenas dois jogadores, Kemba Walker do Boston Celtics e Khris Middleton do Milwaukee Bucks, participaram do All-Star Game deste ano.


Ou seja, eles representam um percentual de apenas 17% do time.


Jamais os Estados Unidos venceram um grande campeonato internacional após 1992 com tão poucos All-Stars.


Agora vamos entrar na fase do mata-mata do Mundial. Quem perder está fora. Há fortes concorrentes como a Sérvia, a, a França, a Austrália e a Espanha.


O desfalcado time americano dará conta do recado?

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© 2019 por Daniel Takata.