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  • Daniel Takata

Quando conhecimento demais atrapalha: o caso do basquete universitário dos EUA

Nos Estados Unidos, durante os playoffs das disputas de basquete do NCAA (liga universitária), os torcedores vão à loucura. Tanto que esse período é conhecido por March Madness, por ocorrer no mês de março e por causar grande frenesi nas torcidas.


Zion Williamson: estrela do último NCAA pela Universidade de Duke e candidato a estrela da NBA nos próximos anos (foto: divulgação/Duke Athletics)

Além da disputa esportiva, há uma outra relacionada que movimenta milhões de pessoas. 25 milhões, para ser mais preciso. Essa é a quantidade de torcedores que arriscam seus palpites em um concurso muito conhecido por lá, tentando adivinhar o resultado de cada jogo.


O concurso é tradicionalíssimo e já tem quase 40 anos.


Os inventores do concurso, originalmente, queriam "determinar, de uma vez por todas, quem sabe mais sobre basquete universitário."


No entanto, após alguns anos e analisando os resultados, muita gente concluiu que o maior candidato a vencedor do concurso seria a pessoa que menos sabe sobre basquete universitário.


Claro que é um exagero. Mas parece evidente que não são as pessoas com maior conhecimento sobre o esporte que têm mais chances de vencer um concurso como esse.


Algumas pessoas atribuem esse fenômeno à incerteza inerente ao jogo. Mas parece haver uma relação de causa e efeito entre muito conhecimento e ir mal no concurso.


Pesquisadores conduziram alguns experimentos ao longo dos anos, intrigados com essa relação, relacionando o conhecimento dos apostadores com seus resultados, e a seguinte curva foi obtida.



Resumindo: a partir de certo ponto, conhecimento demais prejudica os palpites. Os pesquisadores encontraram o mesmo padrão em outros esportes, e até mesmo em outras áreas.


Há algumas explicações possíveis. Uma delas é que a previsão seria uma habilidade pessoal, até de certa forma independente do conhecimento que a pessoa tenha do assunto. As pessoas que fazem melhores previsões tendem a dar um grande peso a, por exemplo, desempenhos passados dos times, ao invés de se enfurnarem em informações específicas e detalhadas.


Outra explicação é que a habilidade de escolher o vencedor é como andar de bicicleta. Algo quase automático. Se você tem essa habilidade e ficar pensando muito, isso pode te prejudicar. Exatamente o que deve acontecer com os grandes conhecedores do assunto quando vão fazer seus palpites.


E, por fim, o fato de a pessoa ser grande conhecedora de basquete não a faz uma especialista nas estratégias para vencer o concurso propriamente dito, que tem regras e diferentes abordagens para uma estratégia vencedora. E tais estratégias são completamente independentes do conhecimento do esporte. Fazer a escolha certa, muitas vezes, demanda conhecimento estatístico, importante para maximizar as probabilidades de sucesso e dar os pesos corretos a cada fator.


Algo parecido ocorre com as apostas esportivas. Um certo nível de conhecimento de estatística e probabilidade é essencial para o sucesso. Você pode ser o gênio dos conhecimentos esportivos, mas sem um raciocínio quantitativo não irá a lugar algum.


Para mais detalhes acerca dos estudos citados neste texto, acesse este link.

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