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  • Daniel Takata

Sair ganhando ou sair perdendo: quem tem mais chances de vencer um jogo de 5 sets no tênis?


No último domingo, o espanhol Rafael Nadal conquistou o título do Aberto dos Estados Unidos de tênis, em uma final memorável contra o russo Daniil Medvedev.


Nadal venceu por 3 sets a 2 em um jogo de 4h51min de duração, a quinta final mais longa da história de torneios de Grand Slam.


Daniil Medvedev e Rafael Nadal (foto: reprodução/usopen.org)

Com o título, o espanhol chega à sua 19ª conquista em Grand Slams, ficando a somente uma do recorde do suíço Roger Federer.


E o panorama do jogo chamou a atenção.


Nadal saiu vencendo por 2 sets a 0. Sendo o favorito e mais experiente, muitos pensaram que o jogo já estava ganho.


Mas o russo reagiu, e venceu os dois sets seguintes.


No quinto set, será que Medvedev teria uma vantagem psicológica? Será que Nadal seguraria a reação do adversário?


Por essas questões, é interessante verificar qual é a tendência em jogos com esse tipo de cenário.


Será mais provável uma vitória do jogador que venceu os dois primeiros sets? Ou do jogador que reagiu e venceu o 3º e o 4º sets?


Além deste texto, também coloquei fiz a análise em vídeo, no canal do Esportístico no YouTube

. Não deixe de conferir.



Há diferença estatisticamente significante


Para tentar mensurar isso, fiz uma análise de todos os jogos masculinos de simples de torneios de Grand Slam de 1999 a 2018.


(Os torneios de Grand Slam são: Aberto da Austrália, Roland Garros, Wimbledon e Aberto dos EUA.)


Nesse período, foram disputadas 10.160 partidas.


E, dessas, 691 apresentaram o cenário de interesse, ou seja, um jogador venceu os dois primeiros sets e o outro jogador venceu os dois sets seguintes (considerei somente jogos disputados até o final, ou seja, em que não houve desistência).


Em 386, ou seja em 55,9% das ocorrências, o jogador que perdeu os dois primeiros sets venceu o jogo.


Nas outras 305 (44,1%), o jogador que venceu os dois primeiros sets saiu como ganhador no quinto set.


Rafael Nadal (foto: reprodução Twitter/ATP)

Para ter um volume maior de dados, fui além e analisei os jogos de Grand Slam em 40 temporadas, de 1979 a 2018.


No período, foram disputadas 19.904 partidas. E, no cenário de interesse, houve 1.369 jogos.


O resultado é praticamente o mesmo. Em 764 jogos (55,8%), o jogador que perdeu os dois primeiros sets venceu o jogo, e nas 605 partidas restantes (44,2%), o tenista que venceu os dois primeiros sets terminou como ganhador.


Utilizando esses dados, calculei também as margens de erro para as probabilidades (tecnicamente, calculei os intervalos de 95% de confiança).


Então, com grande confiança, a verdadeira probabilidade de o jogador que perdeu os dois primeiros sets vencer o jogo em cinco sets está entre 53,1% e 58,5%.


Por outro lado, a probabilidade de o jogador que venceu os dois primeiros sets vencer o jogo em cinco sets está entre 41,5% e 46,8%.


Como os intervalos não se sobrepõem, dizemos que observamos diferença estatística significante.


Isso quer dizer que provavelmente há, sim, diferença entre as probabilidades e que, provavelmente, o jogador que perde os dois primeiros sets tem mais chances de vitória do que o jogador que vence os dois primeiros sets, considerando os jogos que vão até cinco sets.


Não é uma diferença abissal. A diferença observada entre as probabilidades foi de quase 12%. Mas é suficiente para dizer que é estatisticamente significante.


Cuidado com as amostras pequenas


E o interessante é que, nas últimas três finais de torneios de Grand Slam que apresentaram tal cenário, em todas o jogador que venceu os dois primeiros sets terminou com o título, mesmo as estatísticas apontando que o rival é que teria maior probabilidade de vitória.


Aconteceu com Rafael Nadal no último domingo, com o britânico Andy Murray contra o sérvio Novak Djokovic no Aberto dos EUA de 2012 e novamente com Nadal, dessa vez contra Roger Federer, em Wimbledon em 2008.


Roger Federer x Rafael Nadal em Wimbledon-2008, partida considerada por muitos como a melhor da história (foto: Tom Jenkins/Observer)

A última vez que um jogador saiu perdendo por dois sets a zero e conseguiu virar e ficar com o título aconteceu na final de Roland Garros de 2004, em que o argentino Gaston Gaudio derrotou seu compatriota Guillermo Coria.


Se analisássemos somente essas quatro finais, poderíamos ter a impressão de que o jogador que sai vencendo por dois sets a zero tem mais chances de vitória em cinco sets.


Mas seria uma amostra muito pequena. E muita gente cai na armadilha de inferir uma impressão de uma amostra pequena a uma população. É preciso ter cuidado com isso.


Mas isso é assunto para um outro post.


Não se esqueça de também conferir a análise em vídeo, no canal do Esportístico no YouTube

.



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© 2019 por Daniel Takata.