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  • Daniel Takata

Um novo quadro de medalhas para os Jogos Olímpicos


Medalhas olímpicas da Rio-2016 (foto: divulgação)

Invariavelmente, ao final de cada edição dos Jogos Olímpicos, o famigerado quadro de medalhas vem à tona.


E, junto com eles, muito debates.


A começar pela forma pela qual os países são classificados.


Convencionou-se que o número de medalhas de ouro é a medida mais importante. Depois, vem o número de medalhas de prata e, então, o de medalhas de bronze.


Na última Olimpíada, no Rio de Janeiro, as 15 nações mais bem colocadas por esse critério foram as seguintes:

É importante mencionar que essa classificação é mera convenção. O Comitê Olímpico Internacional não a adota como oficial.


Outro ponto de discussão é o desbalanceamento entre esportes.


Por exemplo, um atleta pode sair com oito medalhas de ouro da natação em uma Olimpíada, como já aconteceu.


Um basquetebolista pode conquistar somente uma.


O nadador Michael Phelps e o basquetebolista Kevin Durant: seis medalhas para o primeiro, uma para o segundo na Rio-2016 (foto: reprodução/Instagram de Kevin Durant)

Como obter uma classificação mais justa nesse sentido?


Talvez nunca conseguiremos chegar a um consenso.


Uma sugestão que certa vez ouvi alguém comentar seria a de considerar uma medalha para cada um dos titulares dos esportes coletivos.


O país vencedor no futebol, por exemplo, contabilizaria, dessa forma, 11 medalhas de ouro.


Outra sugestão me pareceu mais razoável: a de considerar, por exemplo, esportes individuais como esportes coletivos.


Como?


Simples. Um exemplo: consideraríamos todos os medalhistas de todas as provas da natação (separando homens e mulheres), e criaríamos um quadro de medalhas. O país que terminasse na primeira colocação receberia uma medalha de ouro para o cômputo geral. Na segunda posição, a medalha de prata, e, na terceira, a medalha de bronze.


Na última Olimpíada, por exemplo, os Estados Unidos foram o país que terminou na frente no quadro de medalhas da natação feminina, seguido por Hungria e Austrália. Dessa forma, os Estados Unidos contabilizariam uma medalha de ouro no quadro geral, a Hungria uma prata e Austrália um bronze.


Fiz essa contagem para todos os esportes. Desnecessário dizer que, para esportes coletivos, nada muda.


Houve alguns empates. Por exemplo, na esgrima masculina, França e Hungria tiveram um ouro, uma prata e um bronze cada, empatando na primeira posição, e, assim tendo contabilizado uma medalha de ouro cada.


Foram 31 esportes em disputa, a saber: tiro ao alvo, atletismo, badminton, basquete, boxe, canoagem, ciclismo, saltos ornamentais, hipismo, esgrima, hóquei, futebol, golfe, ginástica, handebol, judô, pentatlo moderno, canoagem, rúgbi, vela, tiro, natação, nado artístico, tênis de mesa, taekwondo, tênis, tênis de mesa, triatlo, vôlei, pólo aquático, levantamento de peso e luta greco-romana.


Algumas considerações a fazer. Considerei ginástica rítmica e artística como somente um esporte, assim como vôlei e vôlei de praia, ciclismo de pista e de estrada, natação e águas abertas.


Teoricamente, seriam 62 "pódios", certo? 31 masculinos e 31 femininos.


Errado. Pois o nado artístico foi disputado somente por mulheres, e o hipismo não tem distinção de gênero.


Dessa forma, foram, então, considerados 59 "pódios".


E, no final das contas, a nova classificação do top 15 passa a ser a seguinte:

Uma diferença notável ocorre na primeira posição: a Grã-Bretanha tira os Estados Unidos do topo.


Outra mudança digna de nota: a Holanda, que no quadro de medalhas convencional terminou na 11ª posição, na nova classificação cairia para 21º, sem nenhuma medalha de ouro.


Mas, no top 15, não são muitas mudanças drásticas de posição.


Os países que estavam no topo no quadro convencional continuam no topo na nova classificação.


E o Brasil? Em relação ao quadro convencional, o país sobe duas posições.


Ainda não suficiente para atingir o objetivo do Comitê Olímpico Brasileiro estipulado antes dos Jogos, de terminar no top 10.


As duas medalhas de ouro são do futebol e do vôlei masculinos. A prata, da vela feminina. E os dois bronzes, do judô e do vôlei femininos.


Brasil, campeão olímpico no vôlei masculino (foto: divulgação/Ministério do Esporte)

Dessa forma, conquistas históricas como as medalhas de ouro de Thiago Braz no salto com vara e de Robson Conceição no boxe e os três pódios de Isaquias Queiroz na canoagem não seriam suficientes para aumentar os números do país no novo quadro de medalhas.


Paciência. O incrível recorde mundial de Adam Peaty nos 100m peito na natação também não levaria a Grã-Bretanha a conquistar uma medalha na nova classificação.


Obviamente que não tenho nenhuma pretensão de afirmar que esse quadro de medalhas é mais justo ou mais adequado.


Até porque eu nem acho isso.


Fica apenas como curiosidade, caso os esportes individuais tivessem mais ou menos o mesmo nível de avaliação dos esportes coletivos.


E você, o que acha?



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© 2019 por Daniel Takata.